PetrificandoÀs vezes é penoso me sensibilizar com o que acontece ao me redor. Eu já não assisto TV para não ficar sobrecarregada (não que a TV me afete tanto, mas fico imaginando milhões de crianças assistindo a novela das “oito” e, agora, o Big Brother...). No entanto, vejo preconceito, intolerância e egoísmo no dia-dia. Basta acordar.
Não sou o tipo de pessoa que costuma discutir ao presenciar uma injustiça. Já fui assim e percebi que não vale a pena: algumas pessoas consideram as próprias verdades absolutas e indagá-las é como socar uma parede de concreto... Além disso, questionar o que já é um hábito pode te tornar mal quisto no grupo. Mas não posso tapar meus ouvidos. Escuto disparates que, mesmo não sendo dirigidos a mim, doem. Sartre, um filósofo francês, dizia que ao escolher o tipo de ser humano que você deseja ser, você escolhe a humanidade a qual pertencerá. Deve ser por esta razão que me choco: não é esta a humanidade que escolhi.
Tenho estado serena. Afinal, para que me incomodar enquanto quase ninguém se importa? O ofendido reage como o ofensor. Olho por olho, dente por dente. Porém, se observo atentamente, vejo que o ofendido não tem outra opção: ele cresceu ouvindo exatamente as mesmas asneiras. Devolvê-las à altura foi a forma de se defender aprendida por ele. É compreensível. Mas percebo que quando o ofendido encontra alguém que, por outra particularidade, pode ser mais destratado que ele, ele age como seus ofensores, ainda que este outro alguém não tenha lhe ofendido. E todos aprovam, todos riem. E eu ameaço um sorriso a contragosto. Eu não falo mais. Penso e sinto.
Pode ser apenas brincadeira. Posso estar exagerando. Mas ao me colocar no lugar do ofendido, sinto dor. O que me preocupa é que este desconforto tem passado cada vez mais rápido. Sinto-me pressionada a fazer parte da “diversão”. Confesso que às vezes tento, mas, para mim, é inadmissível brincar pejorativamente com alguém sabendo que no fundo aquilo lhe causa sofrimento. Não sou santa, já fiz algo do tipo e me arrependi.
Temo perder meu coração. Temo que esta humanidade me escolha.
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