
Fotografias de papel
Seu nome: Lena. Estava agora com 33 anos. Sentia-se plena, realizada! Havia conquistado quase tudo que almejara: um amor perfeito, um bebê que estava por vir e um trabalho recompensador. Não tinha muitas ambições, tinha sonhos. Gostaria de viajar pela Europa, conhecer Londres, Paris, Lisboa, Barcelona, Berlim, Veneza etc. Mas ela não tinha pressa, pois sua vida estava tão sublime que ela era incapaz de se sentir frustrada!
Num domingo de frio, estando sozinha e sem muito para fazer, Lena resolveu “viajar” pelo passado. Foi até o armário e pegou o baú antigo onde guarda fotografias. As fotos mais recentes são de quase dez anos atrás, pois depois que ela comprou uma máquina digital, esqueceu-se de sua velha companheira Fuji. O primeiro álbum visto foi o de sua adolescência, “15 aninhos” – deduziu ela. Havia várias imagens de Lena com Melissa, amiga desde a infância. Enquanto olhava, ela rememorava aqueles momentos: elas gostavam de aparentar revolta! E de fato acabaram se tornando “rebeldes”. Lena ria ao lembrar daquela época, de toda aquela ingenuidade e inquietude.
Depois achou fotos de sua infância. Lena ficou tentando desvendar o que ela, aquela garotinha de três aninhos, pensava. Era difícil saber. Ela lembrava-se até de quando seu irmãozinho mais novo nasceu. Mas de seus pensamentos (do que ela achava do mundo) não! Ficou curiosa. Achou uma foto em que ela estava debruçada na penteadeira olhando para o espelho. Lena recordou-se que adorava fazer isso - ficar se olhando no espelho - mas ainda assim não sabia o motivo. Talvez apenas se admirasse, talvez buscasse uma resposta. Então Lena pensou, rindo de si mesma: “Deveria ter estudado psicologia em vez de letras”. E continuou “Pessoas me deixam intrigada, o meu próprio”Eu” me deixa perplexa!” Mas logo se encontrou: “Prefiro escrever, gosto de desvendar o ser humano intuitivamente”.
Passou pelas fotos da faculdade, aniversários, viagens inesquecíveis! Notou que a simplicidade sempre a fizera feliz: cachoeira, mar, amigos reunidos. Viu amores antigos e recordou-se, carinhosamente, dos bons momentos. Mas em nenhum momento, inclusive quando ela abriu o álbum da adolescência, desejou voltar no tempo. Lena vivia intensamente o presente, apreciava como nunca a sua vida! De súbito, foi desperta da “viagem”. Barulho na porta. Era o seu amor chegando...
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