Mafalda


quarta-feira, outubro 10, 2007


Dia das Crianças

Lembro-me, quando criança, esperava com ansiedade por esta data. Pois na minha família era assim: ganhávamos presentes no Natal, aniversário e Dia das Crianças. Não adiantava fazer birra ao ver a última Barbie nas lojas ou propaganda. Eu teria que esperar a próxima data comemorativa. Além disso, o presente do Dia das Crianças era de menos valor monetário do que o do Natal ou de Aniversário. Eu recordo-me que ficava irada quando muitas amigas ganhavam presentes fora destas datas e eu não. Mas hoje em dia agradeço a meus pais. Aprendi a me divertir com o brinquedo que tinha e conservá-lo. Aprendi também a brincar na rua, construir barracas, jogar peteca e apertar companhias.
Hoje em dia, criança não pede brinquedo para os pais. Pede um celular, um IPOD, ou uma imitação de notebook. Criança não brinca de casinha, criança não brinca na rua. Criança gosta de games e computador. Criança deixa de ser criança aos dez anos. Criança, apesar de existir danças infantis, prefere os “Rebeldes” ou “Latino”. Criança ganha brinquedo a todo o momento, seja dos pais, avós, padrinhos etc. Ela não sabe o valor de um presente. Criança assiste à novela das 21h e ao Big Brother.
Obviamente nem todas as crianças são assim. Mas é o que eu observo no geral e me entristeço. Crianças cujos pais têm um poder aquisitivo suficiente para lhes dar a melhor educação, cultura e caráter, mas se acomodam para não precisar dizer NÃO!
No outro extremo, temos crianças em abrigos esperando pelo Dia das Crianças. Mas será que brinquedos simples as deixarão contentes? Elas também vêem televisão: querem um vídeo-game de última geração... E as crianças das favelas? O polícia-e-ladrão é real. Os brinquedos são armas de fogo e os lugares que elas se escondem existem para avisar o traficante que a polícia está no morro.
Não vejo motivo para se comemorar o Dia das Crianças. Não há como negar que é uma data apenas para o comércio faturar. Esquecem até que o feriado deve-se a Nossa Senhora Aparecida. Mas ainda sonho que um dia celebraremos com dignidade, seja no dia 12 ou qualquer outra data, o dia em que nossas crianças voltarão a ser de fato crianças, cheias de imaginação e espontaneidade.

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