
Lição de uma menininha
Já é lugar comum dizer que crianças podem nos ensinar sobre a vida – principalmente aquelas atitudes desaprendidas na busca pelo que acreditamos ser a maturidade. No Dia das Mães, minha sobrinha, Luíza, de apenas cinco anos, surpreendeu-me com sua sabedoria. .
Ela e sua irmã gêmea, Laura, estavam brincando com pedaços de imã e eu peguei uma bacia de plástico para colocarem um imã embaixo e outro em cima. Não deu certo, pois a bacia teria que ficar suspensa e não achamos um apoio adequado. Então eu comecei a fazer uma seqüência de batuques sobre a bacia, aprendida há muito tempo. Ambas quiseram fazer igual. Repeti inúmeras vezes. Elas tentaram imitar, mas perceberam que o som não era o mesmo. De repente, Luíza ordenou: “Muda de assunto!”, pondo fim à brincadeira. Eu dei gargalhada e Laura acompanhou-me. Luíza, que por um momento pareceu aborrecida, pegou seu picolé e riu muito também!
Alguém pode dizer que a frase de minha sobrinha é típica de um adulto. Concordo que o vocabulário seja, sobretudo a palavra “assunto”. É inevitável a incorporação da linguagem e comportamento adulto por uma criança no seu processo de crescimento: vê-se ainda que Luíza usou o vocábulo de forma metafórica, pois não era um assunto e sim uma brincadeira, o que demonstra sua capacidade de abstração. No entanto, Luíza apresentou espontaneidade e coragem, virtudes que em alguns momentos nos carecem.
Se pararmos para refletir, não são poucas as ocasiões que temos vontade de dizer simplesmente “vamos mudar de assunto!” e nos calamos, seja por receio de interromper o interlocutor ou por medo de admitirmos uma fraqueza. Luíza não estava preocupada em acabar com a minha diversão e não hesitou em dizer, mesmo que não diretamente: “eu não sei e, no momento, não consigo aprender”. Mas nem sempre o motivo de desejarmos cessar um diálogo é por não termos o conhecimento sobre ele: às vezes, ele nos incomoda por nos trazer lembranças dolorosas ou simplesmente por ser ofensivo. E mesmo nos causando sofrimento, continuamos ouvindo. Falta-nos a ousadia infantil! (Seja qual for a razão, reconhecer os próprios limites é mais doloroso para o adulto que, habitualmente, prefere se sacrificar, enganar a si mesmo e dissimular, em vez de admiti-los). Luíza lembrou-me que não somos obrigados a infringir nossa alma: basta mudar de assunto!
Já é lugar comum dizer que crianças podem nos ensinar sobre a vida – principalmente aquelas atitudes desaprendidas na busca pelo que acreditamos ser a maturidade. No Dia das Mães, minha sobrinha, Luíza, de apenas cinco anos, surpreendeu-me com sua sabedoria. .
Ela e sua irmã gêmea, Laura, estavam brincando com pedaços de imã e eu peguei uma bacia de plástico para colocarem um imã embaixo e outro em cima. Não deu certo, pois a bacia teria que ficar suspensa e não achamos um apoio adequado. Então eu comecei a fazer uma seqüência de batuques sobre a bacia, aprendida há muito tempo. Ambas quiseram fazer igual. Repeti inúmeras vezes. Elas tentaram imitar, mas perceberam que o som não era o mesmo. De repente, Luíza ordenou: “Muda de assunto!”, pondo fim à brincadeira. Eu dei gargalhada e Laura acompanhou-me. Luíza, que por um momento pareceu aborrecida, pegou seu picolé e riu muito também!
Alguém pode dizer que a frase de minha sobrinha é típica de um adulto. Concordo que o vocabulário seja, sobretudo a palavra “assunto”. É inevitável a incorporação da linguagem e comportamento adulto por uma criança no seu processo de crescimento: vê-se ainda que Luíza usou o vocábulo de forma metafórica, pois não era um assunto e sim uma brincadeira, o que demonstra sua capacidade de abstração. No entanto, Luíza apresentou espontaneidade e coragem, virtudes que em alguns momentos nos carecem.
Se pararmos para refletir, não são poucas as ocasiões que temos vontade de dizer simplesmente “vamos mudar de assunto!” e nos calamos, seja por receio de interromper o interlocutor ou por medo de admitirmos uma fraqueza. Luíza não estava preocupada em acabar com a minha diversão e não hesitou em dizer, mesmo que não diretamente: “eu não sei e, no momento, não consigo aprender”. Mas nem sempre o motivo de desejarmos cessar um diálogo é por não termos o conhecimento sobre ele: às vezes, ele nos incomoda por nos trazer lembranças dolorosas ou simplesmente por ser ofensivo. E mesmo nos causando sofrimento, continuamos ouvindo. Falta-nos a ousadia infantil! (Seja qual for a razão, reconhecer os próprios limites é mais doloroso para o adulto que, habitualmente, prefere se sacrificar, enganar a si mesmo e dissimular, em vez de admiti-los). Luíza lembrou-me que não somos obrigados a infringir nossa alma: basta mudar de assunto!
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