Mafalda


quinta-feira, abril 12, 2007


Deixando a “Terra do Nunca”

Mariam passou dez bem vividos anos longe de sua terra natal. De certa forma, foi impelida a voltar. Encontrou velhos amigos e descobriu que alguns, agora, eram apenas velhos conhecidos. Com outros concretizou laços outrora frouxos. Porém, o que lhe trouxe maiores problemas foi a sua inserção em grupos até então desconhecidos...
Quando resolveu treinar vôlei no clube onde passou muito tempo de sua infância e adolescência, sentiu um friozinho na barriga. Conhecia apenas o treinador e um dos garotos. A maioria que lá treinava era meninos e meninas com idade entre 12 e 17 anos. Perto dos 30 anos, Mariam geralmente não tem problemas de conviver com adolescentes. Mas qualquer situação nova que envolva o relacionamento com pessoas desconhecidas, deixa-a ansiosa. Assim, quando chegou, procurou se resguardar. Estando treinando também em outro local, Mariam até que não jogava mal. Por isso, de início, foi bem aceita e sentiu-se mais à vontade para soltar-se. Porém, bastou que ela cometesse alguns erros para que a garotada começasse a reclamar e pegar insistentemente no seu pé...Quebrou-se a harmonia.
Por muitos anos, Mariam fora aquele tipo de pessoa que ouvia desaforos e não revidava. Mas a vida lhe ensinou que a passividade faz mal à saúde. E, embora ela saiba que responder de forma hostil não é o adequado quando se busca o respeito e uma possível mudança da atitude do outro, às vezes ela reage assim perante as provocações dos meninos do vôlei. Depois se entristece com o próprio comportamento. Fica se perguntando como deixa se provocar por esses garotos. Por que se irrita tanto? E enfim, num pensamento típico de adolescente questiona-se: “Por que eu?”.
A resposta às suas indagações não é um mistério. Mariam é de certa forma ingênua: costuma dizer o que pensa. Gosta de relacionar-se com qualquer pessoa. Interessa-se pelo outro, pelo que ele tem de singular. E da mesma forma, ela se entrega. Por que a provocação dos garotos à afeta tanto? Primeiro, porque ela não encontrou a maneira ideal para lidar com eles e, segundo, porque além dela conhecer-se o suficiente para saber que a crítica destrutiva só prejudica seu desempenho, está ciente de que elogiar os acertos, mesmo os mais elementares, é a forma mais eficiente de ensinar, seja um esporte, uma disciplina acadêmica ou qualquer habilidade da educação informal.

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